quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O QUE É DEPRESSÃO BIPOLAR ?

Diferente da depressão unipolar, que é mais conhecida, a depressão bipolar é parte de uma condição mais ampla, chamada de transtorno bipolar.
O transtorno bipolar é uma condição mental crônica, caracterizada por alterações de humor radicais sem explicação aparente, que pode ser repentina e variar da mania, quando os portadores se sentem eufóricos, agitados ou irritados para a depressão, quando se sentem muitos tristes e sem esperança.
Estes altos e baixos são chamados de episódios e variam em frequência e duração. E a depressão bipolar se refere exatamente à fase depressiva do transtorno bipolar.
Os redemoinhos do transtorno depressivo recorrente

As cores, de repente, mudam de tom, ficam esmaecidas. O que era vivo e empolgante, subitamente parece uma gravura em nuances de sépia. O ar parece mais denso, como aquele mormaço num dia que não se decide se chove ou faz calor. No peito uma melancolia que perturba e aquela antiga sensação de aperto na garganta, como se ali houvesse um choro há anos reprimido e que agora precisa desaguar.
O transtorno depressivo recorrente caracteriza-se pela repetição dos episódios de depressão, alternados por períodos de normalidade, durante os quais parece ter havido a remissão dos sintomas. A pessoa que convive com esse transtorno sofre com a visita inesperada da sensação de perda de prazer pelas atividades, mesmo as mais apreciadas; sente cansaço e desânimo; o que antes poderia ser avaliado como pequenos problemas, geram irritação e impaciência. A vida parece ter mudado ao redor, tudo ficou mais opaco e hostil.
Ainda que sejam episódios leves, aqueles que vivem na pele o processo depressivo recorrente, sentem-se impotentes diante de suas incontroláveis oscilações de humor. Muitas vezes, aguentam a dor calados e torcem para que ninguém os surpreenda em crises de choro que chegam sem avisar. Outras vezes, fazem a ariscada tentativa de confessar que estão deprimidos outra vez; sentem-se culpados e sem valor, como se tivessem de pedir desculpas pelo transtorno – literalmente pelo transtorno.
Não é raro acontecer a primeira manifestação de transtorno depressivo recorrente na infância. Neste caso, o diagnóstico é ainda mais delicado, posto que a criança não consegue expressar com clareza o que sente ou explicar a razão de seus comportamentos. Sendo assim, é preciso olhar atento e amoroso; se a criança de repente se comporta de modo incompatível à sua natureza, manifesta alterações no ritmo de sono, perde o apetite ou parece não se saciar, chora por qualquer motivo ou perde o interesse por atividades que a encantam, é necessário buscar a ajuda de um profissional da área de Psicologia ou Psiquiatria.
O que diferencia o transtorno depressivo recorrente dos episódios únicos de depressão é, justamente a ocorrência em ciclos que podem durar dias, semanas ou até meses. A adolescência também pode ser o período da primeira manifestação. Ocorre que muitas vezes recorremos a rótulos equivocados para categorizar o comportamento na adolescência. É claro que não se pode chamar qualquer simples rebeldia ou recolhimento natural dessa fase da vida de depressão. No entanto, o isolamento exagerado, explosões emotivas despropositais, irritação intermitente, alterações significativas no apetite e no sono, pode indicar que algo definitivamente está errado. E também neste caso, como na infância, a avaliação Psicológica ou Psiquiátrica é fundamental.
Entretanto, como passamos quase a maior parte da vida na fase adulta, ao menos cronologicamente, é ainda mais comum que o transtorno depressivo recorrente se manifeste nessa fase. Estima-se que há entre nós, os brasileiros, 17 milhões de pessoas sofrendo de depressão. E o mais sério de tudo isso é que, inúmeras vezes essas pessoas não são diagnosticadas, tratadas e acompanhadas adequadamente.
Aqueles que lutam para compreender, administrar e sobreviver aos episódios recorrentes de depressão lidam com dois inimigos invisíveis e muito traiçoeiros. Um é a própria doença, que diferente de uma ocasional tristeza, traz enormes prejuízos funcionais que afetam a vida afetiva, cognitiva e social daquela pessoa. O outro é o preconceito. Infelizmente, ainda há quem pense que depressão é frescura ou “coisa da cabeça”.
A verdade é que a depressão é muito mais democrática do que se pode supor, infelizmente. Ela pode se instalar em indivíduos extremamente bem-sucedidos e, também naqueles que ainda não se encontraram ou perderam tudo; pode ocorrer com pessoas cercadas de gente querida, inseridas em famílias estáveis e relacionamentos amorosos felizes; pode, inclusive, acontecer para aqueles que acham que isso é coisa de gente desocupada.
Não há vacina para prevenir a depressão. Mas há um “remédio” poderosíssimo, constituído por elementos essenciais como diagnóstico; terapia; medicação (se for o caso); e o mais simples deles, porém, o mais raro que é a compaixão humana.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O transtorno misto ansioso e depressivo tem gerado grande polêmica em relação ao seu conceito, que não foi adotado por todas as classificações de diagnósticos existentes. Isso não significa que sua existência não tenha sido reconhecida, mas às vezes considera-se que se trata de um transtorno depressivo com características ansiosas secundárias, e não de um transtorno único.

No transtorno misto ansioso e depressivo estão presentes sintomas de ansiedade e depressão, mas nenhum deles predomina claramente nem apresenta intensidade suficiente para justificar um diagnóstico separado.

Esse transtorno se manifesta por meio de uma mistura de sintomas relativamente leves.

A combinação de sintomas depressivos e de ansiedade provoca um comprometimento significativo da vida da pessoa que sofre desse transtorno. No entanto, quem se opõe a esse diagnóstico argumenta que a existência desse conceito desencoraja os médicos a utilizar o tempo necessário para fazer um histórico psiquiátrico completo. Um histórico que, por sua vez, permite diferenciar os verdadeiros transtornos depressivos dos transtornos de ansiedade.

domingo, 27 de outubro de 2019

A depressão é considerada o mal do século. Isso porque o número de seus casos só aumenta com o passar dos anos, especialmente entre jovens. Muitos acreditam que isso se deve à pressão da sociedade e às relações interpessoais.
De modo geral, a depressão é um tipo de desequilíbrio mental e emocional resultante de uma combinação de fatores psicológicos, sociais e biológicos. Ela possui sintomas tanto físicos quanto mentais e deve ser tratada com seriedade.
Infelizmente, ainda existe muito preconceito com relação à doença. Muitas pessoas não compreendem o que é exatamente a depressão e pensam que é apenas um caso de tristeza. A verdade é que este distúrbio é muito mais complexo que isso.
O Transtorno Depressivo Recorrente difere dos episódios depressivos mais comuns exatamente por ser repetitivo e constante.
Enquanto normalmente a pessoa passa um período triste e depois não sente mais nada, o depressivo recorrente sofre com uma intensa infelicidade várias e várias vezes. Os ciclos podem durar pouco ou muito, mas sempre voltam.
Os níveis dos sintomas nesses períodos da depressão recorrente podem variar entre pesados e leves, ou seja, em alguns você pode se sentir mal, mas continuar a viver normalmente, já em outros você mal consegue sair da cama.
Ao menos 17 milhões de brasileiros sofrem com a depressão, e a saúde pública (não só aqui, mas no mundo também) ainda não a leva tão a sério quanto outras doenças, mesmo que as estatísticas de suicídios só cresçam.
Quais são os sintomas da depressão?
Podemos classificar os sintomas depressivos em três grupos: físicos, sentimentais e comportamentais. Vale dizer que algumas pessoas com o problema nem sempre apresentarão todos os sintomas, eles podem variar e se alternar. Confira a seguir:
  • Físicos
  • Fadiga constante.
  • Emagrecer ou engordar abruptamente.
  • Problemas digestivos.
  • Dor de cabeça e enxaqueca.
  • Distúrbios de sono.
  • Forte desânimo corporal.
  • Sentimentais
  • Culpa sem motivos.
  • Tristeza intensa.
  • Insegurança.
  • Frustração.
  • Sobrecarga emocional.
  • Ansiedade.
  • Pensamentos suicidas.
  • Decepção.
  • Infelicidade constante.
  • Irritabilidade.
  • Comportamentais
  • Isolamento.
  • Choros abruptos.
  • Abuso de substâncias químicas, como drogas ou álcool.
  • Falta de concentração.
  • Distanciamento nas relações pessoais.
  • Falta de prazer em atividades que antes gostava.
O que causa a depressão?
Não existe um único fator causador da depressão. Os especialistas entendem que alterações biológicas, como problemas nos neurotransmissores, podem gerar alguns sintomas depressivos. A hereditariedade também podem contar muito.
Traumas sofridos na infância, negligência familiar, histórico de abuso físico e sexual, bullying, luto e outros fatores também podem ser facilmente relacionados ao quadro da depressão recorrente. Contudo, nem todos os depressivos se encaixam nisso.
Existe tratamento para a depressão?
Sim. Felizmente, a pessoa depressiva pode se consultar com psiquiatras e psicólogos para conseguir seguir com sua vida.
O psiquiatra receita medicamentos para ajudá-la pessoa a ter o ânimo físico de realizar sua rotina, enquanto o psicólogo procura entender todos os porquês e com isso afastar ainda mais esse espectro. Um tratamento complementa o outro.
Identificou-se com alguns dos sintomas? Conhece alguém que sofre de depressão recorrente? Não ignore as evidências, procure um médico psiquiatra e comece a tratar desde já. A sua vida vale muito a pena.
O Transtorno Depressivo Maior é que chamamos comumente de depressão. De acordo com o DSM-51, suas características principais são o humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de mudanças somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade da pessoa de funcionar. Embora possa ocorrer apenas um episodio, geralmente é uma condição recorrente. É muito importante distinguir o que é uma tristeza ou luto normais de um transtorno depressivo.
 
Sintomas
Para se encaixar no critério para Transtorno Depressivo Maior, a pessoa precisa apresentar cinco dos sintomas abaixo, sendo que o sintoma 1 ou o 2 precisam estar presentes:
  1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias
  2. Interesse ou prazer marcadamente diminuídos em relação a todas ou quase todas as atividades, quase todos os dias
  3. Perda ou ganho de peso significativo
  4. Insônia ou sono excessivo quase todos os dias
  5. Agitação ou lentidão psicomotora quase todos os dias
  6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
  7. Sentir-se sem valor ou com culpa excessiva, quase todos os dias
  8. Habilidade reduzida de pensar ou se concentrar, quase todos os dias
  9. Pensamentos recorrentes sobre morte, pensamentos suicidas sem um plano, tentativa de suicídio ou plano para cometer suicídio
Para que se considere que a pessoa esteja em depressão, os sintomas precisam causar impacto significativo no convívio social, no trabalho ou em outras áreas importantes.
 
Tratamento
Embora a depressão seja um quadro que pode apresentar risco de morte para o paciente, muitas vezes ela é vista com negligência, como se fosse “frescura” ou “bobagem” por parte da pessoa que está sofrendo. Um documento do Ministério da Saúde2 aponta que algumas concepções erradas sobre a depressão podem atrapalhar seu diagnóstico e tratamento, como:
  • depressão é fraqueza de caráter
  • a pessoa pode se curar apenas com força de vontade
  • depressão é uma consequência natural do envelhecimento
  • confundir depressão com estresse
É muito importante, especialmente para profissionais de saúde, não minimizar sintomas depressivos. As pessoas não entram em depressão porque querem; estar em depressão é angustiante, e se dependesse apenas da pessoa, ela certamente não permaneceria nesse estado. A depressão precisa de tratamento.
Muitos estudos já foram realizados a fim de tentar identificar quais os melhores tratamentos para a depressão. A conclusão mais aceita é que a combinação de psicoterapia com medicação é a melhor estratégia, sendo um pouco superior à psicoterapia isolada3. Entre as psicoterapias, não há diferenças significativas entre diversas modalidades estudadas, existindo evidência de que as principais linhas, como a terapia cognitivo-comportamental​4​, as terapias de terceira onda5 e terapias de orientação psicodinâmica6 são igualmente efetivas.
A sensação persistente de tristeza ou perda de interesse que caracteriza a depressão pode levar a uma variedade de sintomas físicos e comportamentais. Estes podem incluir alterações no sono, apetite, nível de energia, concentração, comportamento diário ou autoestima. A depressão também pode ser associada a pensamentos suicidas.